Analisando como decisões fragmentadas na liderança impactam o bem-estar coletivo e a sustentabilidade das organizações de saúde
Por Roberto Gordilho
Observo com frequência, em conversas com executivos da saúde, o lamento silencioso pelo esgotamento das equipes: profissionais talentosos que abandonam o setor, burnout generalizado, e uma sensação de que os esforços não se convertem em impactos reais. Isso não surge do nada; é consequência de decisões que priorizam o curto prazo sobre o sistêmico.
Decisões mal estruturadas (aquelas tomadas em silos, sem visão integrada ou consideração pelo humano) criam um ciclo vicioso. Em um ambiente onde o paciente é o foco, ignorar o custo humano leva a ineficiências que se acumulam: recursos desperdiçados, motivação perdida, e resultados que ficam aquém do potencial.
O que acontece quando o líder não percebe que cada escolha afeta não só números, mas vidas? Essa desconexão expõe um problema estrutural: a liderança que trata pessoas como recursos variáveis, não como o cerne do sistema.
Interdependências
O conceito de decisões estruturadas remete ao pensamento sistêmico: toda escolha reverbera pelo ecossistema organizacional. Na saúde, onde interdependências são intensas, uma decisão financeira que corta treinamentos para equilibrar o orçamento pode parecer racional, mas drena energia: equipes menos preparadas cometem erros, aumentam custos com retrabalho e elevam o risco assistencial.
Estudos da Organização Mundial da Saúde destacam que ineficiências em gestão custam bilhões globalmente, mas o impacto humano é mais grave: profissionais de saúde enfrentam cargas emocionais altas, e decisões fragmentadas amplificam isso. Em um hospital, por exemplo, optar por turnos extensos sem suporte psicológico resulta em fadiga crônica, maior incidência de erros e saída de talentos, criando vagas que demoram a ser preenchidas e perpetuando o ciclo.
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Líderes maduros estruturam decisões com camadas: impacto imediato, médio e longo prazo; efeitos em pessoas, processos e pacientes. Isso envolve mapear consequências invisíveis, como a erosão da confiança quando promessas não são cumpridas. Em contraste, decisões mal estruturadas focam no visível, métricas financeiras, ignorando o invisível: a energia coletiva que sustenta a organização.
Custo-benefício
No contexto brasileiro, vemos isso em redes públicas e privadas onde orçamentos apertados levam a cortes cegos, sem análise de custo-benefício humano. O resultado? Equipes desengajadas, baixa inovação e pacientes que sofrem com cuidados inconsistentes. A liderança eficaz integra dados quantitativos com qualitativos, garantindo que decisões preservem o capital humano.
O custo vai além do individual: afeta o sistema inteiro. Quando a ineficiência drena pessoas, a organização perde conhecimento acumulado, aumentando vulnerabilidade a crises. A maturidade do líder está em reconhecer que resultados sustentáveis nascem de decisões que nutrem, não esgotam.
Pare e confronte-se:
- Que decisões recentes suas priorizaram números sobre pessoas, e qual o custo invisível disso?
- Você mede sucesso apenas por KPIs, ou considera o bem-estar como indicador essencial?
- Como sua liderança contribui para o esgotamento que critica no sistema?
- Essas decisões mal estruturadas estão drenando sua própria energia como líder?
Essas reflexões buscam responsabilização: o custo humano é o preço da liderança imatura.
A ineficiência não é inevitável; é escolha. Líderes da saúde devem estruturar decisões que honrem o humano, construindo organizações resilientes.
Não adie: o custo acumula. A transformação inicia no líder que assume o impacto de suas escolhas.
A responsabilidade é nossa, para reverter o dreno.



















